terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cidades Inteligentes e Edificações Inteligentes

ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE OUTUBRO 2017 DA REVISTA LUMIERE ELECTRIC

Autor: Eng. Fernando Santesso - Diretor de Projetos da AURESIDE

Por que Cidades Inteligentes?
O desenvolvimento econômico e social de uma nação é por vezes resultado direto do desenvolvimento de suas cidades. Pois, além de serem lugares para viver, as cidades são os locais de onde empresas gerenciam seus negócios e oferecem uma variedade de serviços – logo são grandes centros de consumo de recursos.
De acordo com as Nações Unidas (ONU), em 2007 a população urbana no mundo superou a população vivendo em área rural e acredita-se que 70% da população mundial será urbana até 2050, com muitas cidades com mais de 10 milhões de habitantes.
O contínuo aumento das populações urbanas logo se traduzirá em problemas com poluição, energia, água potável, trânsito, estacionamento e transporte cada vez mais complexos de serem geridos.
Vale ressaltar que o incremento da população nas cidades aumentará a demanda por novos edifícios, o que, em última instância, levará a desafios incrementais de infraestruturas existentes. Assim, direta ou indiretamente, as Edificações Inteligentes se tornarão parte das soluções para Cidades Inteligentes. Portanto, se as cidades se tornarem inteligentes, então suas edificações também deverão ser inteligentes.
Os benefícios das Cidades Inteligentes, porém, estão além da experiência que ela oferece, e podem fornecer um valor econômico significativo a longo prazo. Desde de que planejada, implementada e bem gerenciada, as Cidades Inteligentes apresentam resultados expressivos. Estudos apontam que Cidades Inteligentes podem se beneficiar de até 30% de economia de energia e redução de até 20% no desperdício de água.
Outros benefícios importantes incluem segurança e maior qualidade de vida, o que, por sua vez, impulsiona a criação de emprego, levando a maiores receitas tributárias.


O que é uma Cidade Inteligente?
A economia globalizada vem obrigando as cidades a encontrar formas melhores de atrair e satisfazer as necessidades de empresas e habitantes. Nesse cenário, iniciativas de Cidades Inteligentes têm chamado cada vez mais a atenção e atraído investimentos.
O objetivo principal de uma Cidade Inteligente é criar condições econômicas e de bem-estar para sua comunidade através de serviços mais inclusivos, seguros, eficientes e efetivos.
Entretanto, para atingir esse objetivo as cidades devem enfrentar uma ampla diversidade de desafios tais como: demanda crescente de energia, gestão de resíduos, melhoria na prestação de serviços, uso mais eficiente dos recursos (humanos, infraestrutura e natural) e a implementação de práticas sustentáveis ​​do ponto de vista financeiro e ambiental.
O uso e aplicação de tecnologia da informação, automação, redes estruturadas, tecnologias de instrumentação e inteligência artificial como ferramentas para superar esses desafios é um dos pilares fundamentais das Cidades Inteligentes.
A troca de informações, análise de dados e operações dentro e entre os sistemas e domínios da cidade (sejam moradores, empresas e edificações) permite às Cidades Inteligentes operar de maneira mais efetiva e eficiente para oferecer respostas aos seus desafios.
Nessa conjuntura, Edificações Inteligentes representam um importante papel a ser considerado no ecossistema mais amplo denominado Cidades Inteligentes. Como grandes consumidores de recursos que são, as edificações devem estar conectadas as cidades, para que possa trocar informações em tempo real e permitir maior eficiência na operação e menor impacto na cidade.

O que são Edificações Inteligentes?
Edificações Inteligentes são instalações que utilizam recursos de automação avançada e integração de sistema para medir, monitorar, controlar e otimizar suas operações e manutenção.
O desenvolvimento de uma Edificação Inteligente é um processo que exige investimento, mudanças de conceito e transformação na maneira como se gerencia, interage e opera uma edificação.
Porém, não é apenas o uso de tecnologia que caracteriza uma Edificação Inteligente, mas sim a forma como os dados e informações são transformados em ações para a melhoria de eficiência, confiabilidade e conforto da edificação.

Mesmo prédios antigos podem se transformar em uma Edificação Inteligente através de retrofit de sistemas, ganhando funcionalidade, operabilidade e gestão.
Logo, não existe uma implantação padrão de tecnologia para uma Edificação Inteligente e é importante analisar as necessidades, problemas e oportunidades que a edificação oferece, pois quanto mais inteligente for a edificação, mais confiável é sua operação e manutenção. Isso, por sua vez, reduz os custos, o consumo de energia, uso de recursos e emissão de CO2.

Entretanto uma edificação pode ser inteligente, porém não conectada. A convergência existente entre a tecnologia de informação, redes, sistemas de automação e gerenciamento em uma edificação tem permitido o gradual aumento da conectividade nas Edificações Inteligentes.
Essa conectividade já permite aos proprietários, operadores e outros decisores uma visibilidade sem precedentes nas operações, gerenciamento e manutenção de edificações. Isso graças aos dados em tempo real gerados pelos sensores, monitores e controles da edificação.
Nessa conjuntura, a tecnologia da informação e rede de dados tem um papel fundamental a desempenhar no desenvolvimento e nas operações de Edifícios Inteligentes dinâmicos em conjunto com Cidades Inteligentes.

Cidade Inteligentes e Edificações Inteligentes
Uma vez composta a conectividade entre Cidades e Edificações Inteligentes, a troca de informação permitirá a ambos um ganho em sua eficiência.
Do ponto de vista da energia, por exemplo, os Edifícios Inteligentes tornam-se um ativo importante para as Redes Inteligentes (Smart Grid) e ajudam a apoiar o objetivo da Cidade Inteligente de melhorar a eficiência, em termos de redução do consumo de energia e aumento da confiabilidade energética.
A conectividade entre esses dois agentes cria instalações adaptativas que operam de novas maneiras, respondendo automaticamente a políticas internas, agendamentos e sinais externos, como eventos de resposta à demanda.
Existem inúmeros outros casos onde Edificações Inteligentes podem contribuir para Cidades Inteligentes, como por exemplo: gestão de demanda de tráfego, segurança, desperdício de água e outros.

O mais importante, contudo, é entender que não se pode pensar em Cidades Inteligentes com Edificações não inteligentes. Um agente está conectado ao outro e juntos podem beneficiar a toda comunidade.

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